100 anos de História...

Convento dos Eremitas de Santo Agostinho

 

Data dos princípios do Sec. XVIII a primeira referência à “Quinta da Mão Poderosa”, em S. Lourenço de Asmes, hoje Ermesinde. Era pertença de Francisco da Silva Guimarães, negociante do Porto, e o conjunto mais notável seria a casa e ermida dedicada a N.ª S.ª do Bom Despacho, provavelmente situada no local onde se ergue o convento.

 

Em 1745, Francisco da Silva Guimarães e a sua mulher fazem doação da propriedade aos Eremitas Descalços de St.º Agostinho para fundarem uma igreja e convento ou hospício com a denominação de N.ª S.ª do Bom Despacho da Mão Poderosa. A escritura fora lavrada no Porto a 6 de Julho no mesmo ano, tendo como outorgantes os doadores e Dr. Frei José do Nascimento, como procurador do Rev. Pe. Mestre Dr. Frei António da Anunciação, Vigário Geral da Congregação.

 

A doação fora impugnada por parte do senhorio direto, Francisco Aranha Ferreira, que se recusava a vender-lhes os seus “direitos dominicais”. Foi preciso recorrer a D. João V, de quem doadores e religiosos alcançaram a necessária provisão em 19-4-1747. Não esqueceram os religiosos o favor do Rei, alcançado certamente por sua esposa D. Maria Ana, filha do Imperador Leopoldo I, mandado colocar na frontaria da Igreja e noutros locais do Convento a águia bicéfala e as armas imperiais da casa da Áustria.

 

Nascia assim o convento sob a proteção real e, em 12-10-1749, era lançada a primeira pedra. Apesar dos favores reais de D. João V, D. José I e sua esposa D. Maria Vitória, as obras prolongaram-se por algumas décadas, ficando por concluir o claustro e altar-mor da Igreja.

 

Durante o cerco do Porto (1832-33) o Convento foi ocupado pelo exército Realista e foi seu Hospital de Sangue. D. Miguel esteve aí várias vezes. Em 20-12-1832 é referida a visita de D. Miguel ao “Hospital da Formiga” num comunicado do Quartel General, sito em Águas Santas. O adro da Igreja foi sepultura, em vala comum, de um número incalculável de soldados mortos na guerra civil.

 

Em 1834, extintas as ordens religiosas em Portugal, termina o “Real Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa”.

Do passado ao presente - de “Convento” a “Colégio de Ermesinde”

Outras Instituições

 

Em 1842 foi arrematado em hasta pública por José Joaquim da Silva Pinto. Nesta data funciona no antigo convento um colégio para as famílias Miguelistas que não puderam emigrar. Diz-se que os alunos usavam um emblema com uma formiga, recordando o provérbio da Sagrada Escritura “Vade ad formicam, piger, et disce sapientiam”, e daí a designação do Colégio da Formiga. Este Colégio terá encerrado em 1848, ficando o edifício vago durante vários anos.

 

Em 1867 é arrematado em hasta pública por Manuel Francisco Cidade. Por seu falecimento em 1875, ficou a pertencer a sua filha D. Margarida Duarte Cidade, que veio a casar com José Joaquim Ribeiro Teles.

 

Em 1877, Frei João de Santana Gertrudes transfere para o antigo convento a secção masculina do Colégio de Paço de Sousa.

 

Em 1878, o Pe. José Rodrigues Cosgaya, emigrado político de Espanha em 1868, toma conta do Colégio. Em 1886 o mesmo Dr. Cosgaya renova o contrato de arrendamento do antigo convento com validade até 1900. No entanto, em 1894 instalou-se no antigo convento a Congregação do Espírito Santo. Nesta altura o Colégio do Dr. Cosgaya, denominado Colégio da Formiga, passaria a funcionar num edifício próximo: “Colégio do Rego de Água”.

 

Vicente Alonso Pelayo, sobrinho do Dr. Cosgaya, é referido como estando à frente deste Colégio do Rego de Água, encerrado por falta de frequência.

 

Em 1910, com a implantação da República, encerrou o Colégio do Espírito Santo iniciado em 1894 pelos padres dessa Congregação.

 

Em 1911, no opúsculo “Educação e Instrução”, à laia de propaganda política, é apresentado o antigo convento e ilustrado com diversas fotografias, como “Futuro Instituto Grandella - Escola Guerreiro”. 

Colégio de Ermesinde

 

Em 12-09-1912, Pe. Manuel da Silva Pontes e Pe António Luís Moreira concluem com o seu legítimo proprietário, José Joaquim Ribeiro Teles, o contrato de arrendamento do antigo Convento.

Em 28-12-1912, por despacho do então Presidente da República, Manuel de Arriaga, é deferida a petição de José Joaquim Ribeiro Teles e Pe Manuel Moreira Reimão de criar “um instituto particular de ensino secundário em Ermesinde, sob a denominação de COLÉGIO DE ERMEZINDE” – Alvará N.º 712.

 

No ano letivo de 1913-14 figuram como diretores Manuel Moreira da Silva Pontes, Dr. António de Castro Meireles, Dr. Gaspar Augusto Pinto da Silva e Manuel Moreira Reimão.   

 

Em 8-12-1932, José Joaquim Ribeiro Teles faz testamento dos seus bens. Depois de contemplar diversos herdeiros, assim declara na parte final: “Instituo meu único e universal herdeiro de todo o remanescente da minha herança o Exmo. Senhor D. António de Castro Meireles, Bispo do Porto... É meu desejo... que minha propriedade do convento da Formiga seja utilizada em qualquer Seminário ou Colégio, sob a dependência do Exmo. Senhor D. António Meireles, a fim destes bens poderem assim prestar alguma utilidade à Igreja Católica, de quem me prezo de ser filho, pois dela já vieram, e assim úteis à causa de Deus... “.Faleceu o testador em 22-5-1933.

 

A partir de 1948 o Colégio passa, assim, a ser propriedade da Diocese do Porto. A entidade Titular é o Seminário Maior de Nª. Sª. da Conceição, da Diocese do Porto. Os seus Diretores são nomeados pelo Bispo da Diocese, seus mandatários e representantes nesta Comunidade Educativa.

 

Tem como lema Ciência e Disciplina, Liberdade e Responsabilidade, princípios basilares da formação pessoal e integração na sociedade.

Por escritura de 29-5-1941 são transferidos os referidos bens para a posse do “Seminário Maior de N.ª S.ª da Conceição do Porto” e assim se cumpria a vontade de José Joaquim Ribeiro Teles: da Igreja vieram, para Ela voltam.

 

Em 1948, Dr. Gaspar Pinto da Silva vende à Diocese os bens mobiliários do Colégio e é indemnizado pela renúncia dos direitos que lhe advinham como arrendatário e como Diretor do Colégio. Da mesma forma foi indemnizado o Diretor Adjunto e professor Dr. Francisco da Silva Pinto.

PARCERIAS

Quinta da Formiga

4445-485

Ermesinde - Valongo

CLUBE DE KARATÉ DA MAIA

(acesso para docentes)

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